Estudos revelam que câncer de colo de útero é subestimado

Um novo estudo descobriu que a taxa de câncer de colo de útero em mulheres americanas pode realmente ser maior do que se pensava antes, especialmente entre as mulheres mais velhas e negras. Na verdade, o estudo, publicado na Cancer – revista oficial da Sociedade Americana de Câncer – revelou que o câncer cervical pode ocorrer com mais frequência após os 65 anos, época em que as mulheres são normalmente aconselhadas a parar a realização de exames ginecológicos.

Durante anos, as mulheres com mais de 65 foram informadas que podem parar de fazer os testes de triagem de Papanicolau se elas tiveram resultados normais de seus testes nos últimos 10 anos.

O câncer do colo do útero pode ser extremamente mortal, mas também é raro; é diagnosticado em 12.000 mulheres americanas, todos os anos, e mata 4.000, de acordo com o Centers for Disease Control. Segundo o órgão,o câncer cervical costumava ser uma das principais causas de morte por câncer em mulheres nos Estados Unidos, mas o número de mortes diminuiu em grande parte graças a exames regulares.

O principal autor do estudo, Patti Gravitt, emitiu um comunicado escrito sobre os resultados do estudo. As mulheres são informadas que podem parar de fazer exames ginecológicos anuais, após os 65 anos, mas “nossos cálculos corrigidos mostram que as mulheres, após essa idade, têm a maior taxa de câncer do colo do útero”.

Na verdade, a incidência de câncer cervical em mulheres entre 65 e 89 anos foi 83% maior do que a calculada anteriormente, ou seja, quase 25 mulheres a cada 100.000 mulheres nessa faixa etária. Para as mulheres negras, a taxa foi ainda maior, chegando a 53 casos a cada 100.000 mulheres negras com idade entre 65 a 69 anos.

Muitos grupos médicos há muito recomendam um teste de Papanicolau a cada três anos para a maioria das mulheres. Eles defendem que os exames não devem começar antes de 21 anos de idade e que as mulheres com mais de 65 anos podem não realizar mais o exame se os testes anteriores não apontaram problemas.

No Brasil, segundo dados do INCA, para o ano de 2014, no Brasil, são esperados 15.590 casos novos de câncer do colo do útero, com um risco estimado de 15,33 casos a cada 100 mil mulheres. Sem considerar os tumores de pele não melanoma, o câncer do colo do útero é o mais incidente na região Norte (23,57/ 100 mil). Nas regiões Centro-Oeste (22,19/ 100 mil) e Nordeste (18,79/ 100 mil), é o segundo mais frequente. Na região Sudeste (10,15/100 mil), o quarto e, na região Sul (15,87 /100 mil), o quinto mais frequente.

“O câncer de colo de útero configura-se como um importante problema de saúde pública. Sua incidência é maior em países menos desenvolvidos quando comparada aos países mais desenvolvidos. Em geral, ele começa a partir de 30 anos, aumentando seu risco rapidamente até atingir o pico etário entre 50 e 60 anos”, afirma a ginecologista e obstetra, Cris Carneiro (CRM-SP 59.336).

O tipo histológico mais comum do câncer do colo do útero é o carcinoma de células escamosas, representando cerca de 85% a 90% dos casos, seguido pelo tipo adenocarcinoma. “O principal fator de risco para o desenvolvimento de lesões intraepiteliais de alto grau (lesões precursoras do câncer do colo do útero) e do câncer do colo do útero é a infecção pelo papilomavírus humano (HPV). Contudo, essa infecção, por si só, não representa uma causa suficiente para o surgimento da neoplasia, faz-se necessária sua persistência”, informa a médica.

Além de aspectos relacionados ao HPV (tipo e carga viral, infecção única ou múltipla), outros fatores ligados à imunidade, à genética e ao comportamento sexual parecem influenciar os mecanismos, ainda incertos, que determinam a regressão ou a persistência da infecção e também sua progressão para lesões precursoras ou câncer.

“A idade também interfere nesse processo: a maioria das infecções por HPV em mulheres com menos de 30 anos regride espontaneamente, ao passo que, acima dessa idade, a persistência é mais frequente. O tabagismo eleva o risco de desenvolvimento do câncer do colo do útero. Esse risco é proporcional ao número de cigarros fumados por dia e aumenta, sobretudo, quando o ato de fumar é iniciado em idade precoce. Existem hoje 13 tipos de HPV reconhecidos como oncogênicos pela IARC. Desses, os mais comuns são o HPV 16 e o 18, responsáveis por cerca de 70% dos casos desse câncer”, diz a ginecologista.

A vacina contra o HPV é uma promissora ferramenta para o combate ao câncer do colo do útero. O Ministério da Saúde implementou neste ano, no Sistema Único de Saúde (SUS), a vacinação gratuita de meninas de 9 a 13 anos, com a vacina tetravalente, que protege contra dois principais tipos oncogênicos de HPV (16 e 18). “A vacinação, contudo, não exclui as ações de prevenção e de detecção precoce pelo rastreamento, que busca lesões precursoras e câncer em mulheres sem sintomas”, avisa a médica.

Com exceção do câncer de pele, esse tumor é o que apresenta maior potencial de prevenção e cura, quando diagnosticado precocemente. O teste citopatológico convencional (Papanicolaou) é a principal estratégia de programas de rastreamento do câncer do colo do útero no mundo.

“No Brasil, a estratégia recomendada pelo Ministério da Saúde é o exame citopatológico em mulheres de 25 a 64 anos. Para a efetividade do programa de controle do câncer do colo do útero, faz-se necessário garantir a organização, a integralidade e a qualidade dos serviços, bem como o tratamento e o acompanhamento das pacientes”, explica Cris Carneiro.

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