Tudo o que sabe sobre a menopausa está errado… Será?

Menopausa. Ou você teme a palavra ou ainda vai temê-la… Na verdade, as mulheres têm medo das ondas de calor, dos suores noturnos e da falta de desejo sexual que viram a mãe sofrer ou uma amiga contar.

“Mas o que as mulheres acham que sabem sobre essa etapa da vida pode estar bastante distante da realidade. Na verdade, as pessoas vão colecionando mitos sobre o tema há anos. Na década de 1950, sugeriam radiação e sedativos leves para ajudar as mulheres a lidar com os efeitos colaterais da menopausa. Hoje, há os defensores e os detratores da terapia de reposição hormonal (TRH)”, afirma a ginecologista e obstetra, Cris Carneiro (CRM-SP 59.336).

Aqui estão alguns dos maiores mitos da menopausa desmascarados:

  • A menopausa acontece de uma hora pra outra à noite

Não estamos falando de suores noturnos… A menopausa é uma transição. De acordo com dados mais recentes, a menopausa é definida pela ausência de menstruação, durante 12 meses inteiros. “Ela começa quando os ovários param de produzir os hormônios estrogênio e progesterona. É a mudança na produção dos hormônios que provoca uma série de efeitos colaterais experimentados por muitas mulheres, incluindo alterações de humor, alterações nos padrões de sono e secura vaginal”, explica Cris Carneiro.

  • A menopausa começa aos 50 anos

Se você está temendo chegar aos 50 anos porque acha que a “mãe natureza” lhe presenteará com a menopausa, pense novamente. Não há um número mágico. É verdade que a idade média que uma mulher tem sua última menstruação é aos 51 anos, mas esse é um processo particular, que varia de mulher para mulher.

“Algumas mulheres podem experimentar a menopausa aos 40 anos, enquanto outras não a experimentam antes dos 60 anos. Não esqueça que a perimenopausa, período antes da última menstruação, pode durar de quatro a cinco anos. Mas se você está se perguntando quando isso vai acontecer com você, pergunte à sua mãe. Os especialistas dizem que a genética é o melhor indicador. Você provavelmente vai passar a sentir os sintomas em torno da mesma idade que sua mãe. Existem, no entanto, muitos outros fatores envolvidos. O tabagismo e a quimioterapia podem reduzir a idade de início. Determinados grupos étnicos, como negros e hispânicos, normalmente também atingem a menopausa um pouco mais cedo do que os brancos”, diz a médica.

  • A vida sexual termina quando você entra na menopausa

É verdade que as alterações hormonais resultantes da menopausa podem diminuir o desejo sexual. “Mas algumas mulheres na pós-menopausa relatam ter um desejo sexual maior, o que pode ser atribuído até a uma abordagem mais relaxada ao sexo, com menos medo de engravidar. Além disso, com as crianças fora da casa, algumas mulheres relatam menos estresse, levando a uma maior intimidade com seu parceiro”, conta Cris Carneiro.

Existem maneiras de lidar com os efeitos colaterais da menopausa inclusive no que se refere à atividade sexual e à secura vaginal. As terapias de reposição hormonal podem ajudar, mas os resultados sobre a segurança dessa alternativa terapêutica ainda não são definitivos. O uso de hidratantes e lubrificantes vaginais podem ajudar também.

“Uma pesquisa com mais de 46.000 mulheres, com idades entre 50-79 anos, revelou que mais de metade desse contingente manteve relações sexuais, no ano passado, e no grupo sexualmente ativo, mais de três quartos alegou estar satisfeita com sua vida sexual”, afirma a ginecologista.

  • Os sintomas da menopausa são apenas os físicos

Quando pensamos na menopausa, imaginamos uma mulher de meia idade, abanando-se e suando baldes, enquanto todo mundo treme de frio ao redor dela. Mas os sintomas da menopausa são mais profundos que os físicos. Com um corpo mudando, o estresse, o envelhecimento, as alterações sexuais e as alterações hormonais podem provocar uma depressão relacionada à menopausa.

“De acordo com a Sociedade Norte-Americana de Menopausa, a menopausa pode afetar o humor devido a alterações hormonais. Se a paciente tem um histórico de depressão, ela pode ficar mais suscetível aos sintomas depressivos durante a menopausa. O importante é que as mulheres não sofram em silêncio. É preciso conversar com o ginecologista sobre as mudanças no humor, além de adotar um estilo de vida mais saudável, que inclui uma dieta equilibrada e exercícios físicos para ajudar nesse processo de transição”, recomenda Cris Carneiro.

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Um comentário

  1. Doutora Cristina: gostei muito desse texto. Estou entrando na menopausa e sinto que os ginecologistas em geral não estão preparados para lidar com a mulher nessa fase. Muito sensível as suas colocações. Gostaria de saber se a senhora atende convênios e quais.

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