Vacina contra HPV x comportamento sexual de risco

Aquelas vozes que pensam que todos os avanços médicos em prol da saúde da mulher também servem como “um afrodisíaco perigoso” estão descontentes e em crise… Um novo estudo prova que elas estão erradas. De acordo com a pesquisa publicada no Journal of Pediatrics, a vacina contra o HPV não leva a um comportamento sexual mais arriscado entre mulheres jovens e adolescentes.

“Neste sentido, a discussão sobre a vacina contra o HPV lembra o debate de décadas atrás sobre o controle da natalidade. Se uma medicação atenua as consequências do sexo sem proteção, ele também deve incentivá-lo. Mas não é tão simples assim”, afirma a ginecologista e obstetra, Cris Carneiro (CRM-SP 59.336).

Uma pesquisa divulgada pelo Hospital Infantil de Cincinnati sugere que mulheres jovens que recebem a vacina contra HPV não ficam mais propensas a fazer sexo desprotegido do que antes de receberem a vacina. “Em outras palavras, vacinar não promove nem desestimula o comportamento sexual de risco. Uma jovem predisposta ao sexo seguro não é suscetível de abandonar hábitos saudáveis ​​depois de receber a vacinação”, esclarece a médica.

Outro estudo, publicado no ano passado, indicou que a vacina contra o HPV não foi correlacionada com o aumento da incidência de outras doenças sexualmente transmissíveis ou de gravidez entre as jovens que receberam a imunização. Pesquisadores entrevistaram mulheres jovens entre 13-21 anos de idade, antes de receberem a vacina, e, depois novamente, dois e seis meses mais tarde. Em cada etapa, elas foram questionadas sobre a sua atividade sexual, se estavam usando preservativos e se achavam que a vacina tinha diminuído a necessidade de preservativos durante as relações sexuais.

Aquelas que eram sexualmente ativas não relataram um declínio do uso de preservativos, após receber a vacinação. Elas entenderam que a vacina não protege contra outras doenças sexualmente transmissíveis ou de gravidez indesejada. Cerca de 20% das mulheres não tinha nenhuma experiência sexual no início do estudo, mas tornaram-se sexualmente ativas, seis meses após a vacinação (como se poderia provavelmente esperar de qualquer população nessa faixa etária). Essas participantes disseram que sua compreensão dos riscos associados ao sexo seguro não foi influenciada pela vacina.

“O estudo é animador para aqueles que desejam aumentar a vacinação de mulheres jovens visando a prevenção do câncer de colo do útero. A vacina protege contra os dois tipos do vírus HPV que causam 70% dos casos de câncer do colo do útero”, informa Cris Carneiro.

“Há muitos fatores que contribuem para uma adolescente iniciar sua vida sexual e decidir limitar o número de parceiros ou usar preservativos. Uma vacina provavelmente desempenha um papel muito pequeno nessas decisões. Os resultados dos estudos realizados até o momento asseguram a segurança da vacina e oferecem proteção às mulheres. Esses são os fatos mais fortes contra os preconceitos sobre a vida sexual feminina”, diz a ginecologista.

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