Transplante de útero: saiba mais sobre esse assunto

Em um projeto de pesquisa inovador da Universidade de Gotemburgo, sete mulheres suecas tiveram embriões implantados após receber úteros de doadoras vivas. Agora, a primeira mulher transplantada deu à luz a um bebê, um menino saudável e com desenvolvimento normal.  O artigo sobre o primeiro nascimento deste tipo no mundo foi publicado no The Lancet, no dia 5 de outubro de 2014.

Na verdade, o projeto de pesquisa que envolve o transplante de útero na Universidade de Gotemburgo começou em 1999 e foi sendo registrado em mais de 40 artigos científicos ao longo do tempo. O maior objetivo do Projeto Gotemburgo é que mulheres que nasceram sem útero ou que perderam seus úteros devido a uma cirurgia oncológica possam dar à luz a seus próprios filhos.

Doadoras vivas

Nove mulheres no projeto receberam um útero de doadoras vivas. Na maioria dos casos, a mãe da paciente foi a doadora, mas outros membros da família e amigas íntimas também foram doadoras. O útero transplantado foi removido em dois casos, no primeiro devido a uma infecção grave e, no segundo, devido à formação de coágulos de sangue nos vasos sanguíneos transplantados.

As sete mulheres restantes então começaram a tentar engravidar em 2014, com apoio das técnicas de fertilização in vitro, e tiveram seus próprios embriões fertilizados reintroduzidos no útero transplantado.

Primeiro filho de um útero transplantado

A primeira gravidez precoce foi confirmada após uma primeira tentativa de gravidez bem sucedida em uma mulher de 30 e poucos anos, pouco mais de um ano após seu transplante.

No início de setembro, a mulher deu à luz a um bebê por cesariana, tornando-se a primeira mulher no mundo a dar à luz a uma criança gerada num útero transplantado. O útero foi doado por uma mulher sem relação de parentesco de 61 anos de idade.

A cesariana teve que ser realizada antes do planejado: a mulher desenvolveu pré-eclâmpsia na 32ª semana de gravidez, pois o monitoramento da gestação indicava que o bebê estava sob estresse. A cesariana foi realizada de acordo com as rotinas clínicas normais para não colocar em risco a saúde da mãe e da criança.

Desenvolvimento normal

Segundo o professor Mats Brännström, que realizou a cesariana, o recém-nascido é um menino perfeitamente saudável e está se desenvolvendo normalmente. O bebê nasceu com peso normal, considerando a idade gestacional do parto.

“O bebê chorou imediatamente ao nascer e não exigiu qualquer outro cuidado que a observação clínica normal na unidade neonatal. A mãe e a criança estão muito bem e voltaram para casa. Os novos pais, naturalmente, estão muito felizes e agradecidos”, diz o professor Mats Brännström, que lidera o projeto de pesquisa.

“A razão para a pré-eclâmpsia da mulher é desconhecida, mas os pesquisadores consideram que ela pode ser resultado do tratamento imunossupressor ao qual a mãe transplantada foi submetida, além do fato de que ela tem apenas um rim. A idade do útero doado também pode ter sido a causa da pré-eclâmpsia. Além disso, a pré-eclâmpsia é geralmente mais comum entre as mulheres que engravidaram por meio dos tratamentos dos tratamentos de fertilização humana assistida”, afirma a ginecologista e obstetra Cris Carneiro (CRM-SP 59.336).

Episódios de rejeição

Antes de dar à luz, a mulher teve três episódios de rejeição leves desde o transplante, um dos quais ocorreu durante a gravidez. Os episódios de rejeição, que muitas vezes são vistos também em outros tipos de transplantes, pode ser interrompido com o tratamento imunossupressor.

A equipe de pesquisadores acompanhou a gravidez de perto, acompanhando atentamente o crescimento e o desenvolvimento do feto, com um foco especial sobre o fornecimento de sangue para o útero e para o cordão umbilical.

Havia a preocupação de que o fornecimento de sangue pudesse ser comprometido, uma vez que os vasos sanguíneos para o útero tinham sido realocados. Mas nada de anormal foi percebido sobre a função do útero e do feto, e a gravidez seguiu todas as curvas normais.

Grande passo científico

“O nascimento bem sucedido é considerado um grande passo, pois fornece evidências científicas que o conceito de transplante útero pode ser utilizado para tratar a infertilidade causada pelo fator uterino, que até agora era considerada uma forma intratável de infertilidade feminina. O nascimento do bebê também mostra que os transplantes de útero com doadoras vivas são possíveis, mesmo com a doadora na menopausa”, diz a médica.

Várias equipes de pesquisa no mundo estão aguardando os resultados finais do estudo de Gotemburgo, a fim de realizar novos estudos observacionais similares. As tentativas de gravidez estão em curso nas outras seis mulheres que integram o Projeto.

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