Congelamento de óvulos: 5 coisas que você precisa saber

O anúncio de que a Apple e o Facebook vão cobrir os custos do congelamento de óvulos de suas funcionárias deu muito o que falar recentemente, pois muitas pessoas não compreendem os riscos e os benefícios desse procedimento, por isso não sabem se devem considerar  o ato um benefício para as mulheres ou para as empresas.

Na semana passada, o Facebook anunciou que já começou a cobrir o congelamento de óvulos. A Apple planeja implementar o benefício no próximo ano. Ambas as companhias disseram que irão cobrir até US $ 20.000 do custo do procedimento, que pode variar de U$ 5.000 a mais de US $ 15.000, nos Estados Unidos, não incluindo o custo dos medicamentos necessários, o que pode custar milhares de dólares a mais.

“O congelamento de óvulos é visto como uma maneira de enganar o ‘tique-taque do relógio biológico’… Com o envelhecimento feminino, a probabilidade de que os óvulos apresentem anormalidades cromossômicas cresce, o que aumenta o risco de distúrbios, como o aborto, e pode tornar mais difícil ou impossível para as mulheres conceberem. Mas o congelamento de óvulos não é uma solução perfeita para os problemas femininos atuais em relação ao adiamento da maternidade”, alerta  a ginecologista e obstetra Cris Carneiro (CRM-SP 59.336).

A seguir, a médica enumera  cinco fatos importantes sobre o congelamento de óvulos que precisam ser de conhecimento do público feminino:

  • O congelamento de óvulos é melhor agora do que costumava ser

Os óvulos contêm uma grande quantidade de água, e por isso, quando eles são congelados, cristais podem se formar e danificar suas estruturas. Por esta razão, as técnicas de congelamento de óvulos, no passado, não foram tão bem sucedidas como as atuais. Elas eram usadas ​​principalmente por mulheres com câncer ou outras condições que apresentavam um elevado risco de perda da fertilidade em função da quimioterapia.

“No entanto, uma nova técnica surgiu, nos últimos cinco anos, que permite o congelamento de óvulos tão rapidamente que os cristais não se formam. Estudos descobriram que os ovos congelados com o emprego desta nova técnica, chamada de vitrificação, são semelhantes aos óvulos frescos em sua capacidade de levar a uma gravidez (se os óvulos forem retirados de uma mulher ainda em tenra idade). Devido a estas conclusões, a Sociedade Americana de Medicina Reprodutiva declarou que o congelamento de óvulos já não é mais um procedimento  experimental desde 2012”, diz a médica.

  • O procedimento não é recomendado para atrasar o período fértil

“A Sociedade Americana de Medicina Reprodutiva agora recomenda o congelamento de óvulos para vários grupos de pessoas, incluindo mulheres que podem perder sua fertilidade durante a quimioterapia. O procedimento também é recomendado para casais que estão se submetendo à fertilização in vitro (FIV) e não são capazes de fertilizar os ovos no mesmo dia que eles são aspirados  e para os casais submetidos à fertilização in vitro que têm óvulos excedentes e não desejam que os óvulos sejam fertilizados e congelados como embriões”, esclarece Cris Carneiro.

No entanto, não há dados suficientes para recomendar que as mulheres congelem seus óvulos com o único objetivo de adiar a gravidez, de acordo com a entidade médica americana. São necessários mais estudos sobre a segurança, a eficácia, a efetividade de custo e os riscos emocionais do procedimento para este fim, recomenda a Sociedade Americana de Medicina Reprodutiva.

“Comercializar esta tecnologia com o objetivo de adiar a maternidade pode dar às mulheres uma falsa esperança e encorajá-las a adiar a maternidade. As pacientes que desejam adotar essa tecnologia devem ser cuidadosamente orientadas sobre as taxas de sucesso de criopreservação de oócitos da clínica de reprodução humana, além de serem informadas  sobre os riscos, os custos e as alternativas para usar essa abordagem”, defende um relatório de 2012 da Sociedade Americana de Medicina Reprodutiva.

  • O congelamento de óvulos implica num tratamento médico

“Há três passos principais para o congelamento de óvulos: a estimulação dos ovários, a retirada dos óvulos e o congelamento propriamente dito”, explica a ginecologista.

Na primeira etapa, as mulheres recebem hormônios para estimular os ovários a produzir óvulos múltiplos em um ciclo reprodutivo. Durante esta fase, as mulheres vão à clínica de reprodução humana com frequência – às vezes cinco ou seis vezes ao longo de um período de duas semanas – para monitorar o funcionamento do tratamento.  Nessas consultas, os médicos monitoram os ovários com um ultrassom vaginal para acompanhar o crescimento dos óvulos e retirar amostras de sangue.

Em geral, são necessários cerca de 8-14 dias de tratamento hormonal antes dos óvulos poderem ser retirados. Os óvulos são retirados dos ovários com um aparelho de aspiração que está ligado a uma agulha. O ultrassom é usado para guiar a agulha através da vagina para o folículo do óvulo. O procedimento é realizado sob sedação.

“Durante o congelamento propriamente dito do óvulo, eles são resfriados a temperaturas abaixo de zero”, explica a médica.

  • O congelamento de óvulos de mulheres mais jovens é melhor

“Óvulos congelados podem mais tarde ser descongelados, fertilizados e implantados com a fertilização in vitro. Mas as chances de sucesso (gravidez) são maiores se a mulher implanta óvulos ‘mais jovens’, o que significa que ela deve pensar em congelar seus óvulos entre 20-30 anos  e não mais tarde”, orienta Cris Carneiro.

A vantagem de congelar os óvulos é que o procedimento permite que as mulheres tenham a liberdade de continuar buscando “o parceiro certo”, além de aliviar o estresse que, comumente, acomete uma mulher que está na faixa dos 30-40 anos e não encontrou “a pessoa certa”.

  • Congelamento de óvulos não é garantia de gravidez

“Uma mulher que congela seus óvulos, mesmo em tenra idade, não tem uma garantia de 100% de gravidez mais tarde. Estudos realizados na Europa em óvulos congelados (vitrificados) de doadoras com menos de 30 anos de idade descobriram que as taxas de gravidez das mulheres, utilizando esses óvulos, varia de 36-61%”, informa a ginecologista Cris Carneiro.

Uma calculadora de fertilidade on-line desenvolvida por pesquisadores da Escola de Medicina de Nova York e da Universidade da Califórnia estima que uma mulher que congela 15 óvulos, aos 30 anos, tem uma chance de 30% de dar à luz a uma criança se ela um dia utilizar os óvulos congelados. Uma mulher que congela 25 óvulos, aos 30 anos, tem uma chance de 40% de dar à luz um filho, a calculadora estima.

“É importante saber que nem as taxas de gravidez naturais  são de 100% e que entre os casais sem problemas de fertilidade, 60% vai engravidar dentro de três meses de tentativas”, observa a ginecologista.

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