Estresse pré-concepção pode tornar gravidez mais difícil

O estresse pode afetar as chances de engravidar de algumas mulheres, sugere um novo estudo. Os pesquisadores descobriram que as mulheres que tinham níveis mais elevados de uma enzima na saliva, chamada alfa-amilase, um indicador de estresse, levaram mais tempo para engravidar. O estudo é o primeiro a mostrar uma ligação entre a infertilidade feminina e os níveis de estresse medidos na saliva.

De acordo com os cientistas, as mulheres que apresentavam os níveis mais altos de alfa-amilase tinham mais que o dobro de probabilidade de não engravidar, após 12 meses, quando comparadas às mulheres que tinham níveis mais baixos da substância no organismo.

“Os resultados também sugerem que os efeitos do estresse são mais evidentes, depois dos casais tentarem engravidar por, pelo menos, cinco meses.  Os pesquisadores descobriram que as probabilidades das mulheres engravidarem, no início do estudo, eram semelhantes, independentemente dos seus níveis de alfa-amilase, mas depois de cinco meses, as mulheres com os mais altos níveis de alfa-amilase começaram a apresentar chances menores de engravidar. A principal conclusão do estudo é uma aparente associação entre o estresse pré-concepção e a probabilidade de engravidar”, afirma a ginecologista e obstetra Cris Carneiro (CRM-SP 59.336).

Estresse e infertilidade

Para explorar o papel que o estresse pode desempenhar na capacidade de uma mulher conceber, os pesquisadores analisaram dados de 501 casais nos Estados Unidos. Estes casais não tinham história prévia de infertilidade e vinham tentando ter um bebê a menos de dois meses.

Para avaliar o estresse, os pesquisadores mediram os níveis de alfa-amilase e de cortisol, outro marcador biológico à base de saliva do estresse, das mulheres. Os participantes do estudo – homens e mulheres – também mantiveram um diário, registrando seus níveis de estresse.

As mulheres forneceram duas amostras de saliva, durante os 12 meses do estudo. Uma amostra foi colhida, pela manhã, após as mulheres se inscreverem no projeto, antes que elas tivessem comido, bebido, fumado ou escovado os dentes, hábitos conhecidos por influenciar a produção de alfa-amilase. Uma segunda amostra foi coletada, pela manhã, depois que as mulheres tiveram seu primeiro período menstrual durante o estudo.

Dos 401 casais que completaram o estudo, 347 ficaram grávidos.

Os resultados revelaram que as mulheres que tiveram os níveis mais altos de alfa-amilase tinham 29% menos chances de engravidar do que as mulheres com os níveis mais baixos. Os dados não mostraram nenhuma relação entre os níveis do cortisol de uma mulher e suas chances de conceber.

Apesar de cortisol e da alfa-amilase serem ambos indicadores de estresse, eles trabalham em duas vias biológicas diferentes. Os níveis de cortisol são mais representativos do estresse crônico, então as diferenças nos níveis de cortisol podem não ter aparecido porque os testes de saliva foram feitos apenas durante os primeiros meses do estudo.

Gestão do estresse

“O papel que o estresse pode desempenhar na infertilidade e o mecanismo por meio do qual se ele pode afetar as possibilidades de uma mulher ter um bebê são complicados. Há muito é sugerido que os casais que estão tentando engravidar se tornam mais estressados e diminuem a frequência de suas relações sexuais. A nova pesquisa não encontrou provas de que os casais que não conseguiam conceber tinham uma frequência de relações sexuais menor do que os casais que foram capazes de conceber”, diz a obstetra.

Segundo Cris Carneiro, na verdade, o estudo indica que, se um casal não engravidou, depois de 5-6 meses de tentativas, o fator estresse pode estar relacionado ao quadro de infertilidade. “Por isso, as mulheres que estão tentando engravidar devem ser informadas sobre as técnicas de manejo do estresse, métodos de relaxamento que podem incluir meditação, yoga, atividade física regular ou exercícios respiratórios”, defende a médica.

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