Vacina contra a gripe é recomendada para todas as gestantes

As mulheres grávidas devem receber a vacina contra a gripe, independentemente do tempo de gestação. Essa é a diretriz atualizada  sobre o tema do Colégio Americano de Obstetras e Ginecologistas (ACOG). Mulheres que estão amamentando ou que tenham dado à luz recentemente também devem se vacinar. 

A vacinação em si, incluindo a vacinação contra a gripe, é sempre envolta em muitos mitos. Algumas pessoas ainda pensam que as mulheres grávidas não devem ser vacinadas contra a gripe, mas isso é um equívoco. A vacina, produzida por vírus inativados (vírus mortos e fracionados), não representa risco algum à saúde da mulher e do bebê. Não existe o risco de se pegar gripe por meio da vacina.

As novas diretrizes do ACOG também defendem que a vacinação é importante para as mulheres que estão tentando engravidar. Desde a última vez em que a entidade médica emitiu orientações sobre a vacina contra a gripe, em 2010, mais evidências científicas reafirmaram que a vacina é segura para as mulheres grávidas. Prevenir a gripe é um elemento essencial nos cuidados durante a pré-concepção, assim como durante a gravidez e após o parto, defende o comunicado do ACOG.

Por aqui, conforme orientação do Ministério da Saúde, publicada em nota técnica de Nº 05/2010, que descreve a estratégia de vacinação contra o vírus Influenza A (H1N1), as gestantes, por constituírem um grupo de alto risco para complicações graves, devem ser vacinadas, independente da sua idade gestacional. As exceções reservam-se às pessoas com doença febril aguda, pessoas com doença neurológica em atividade, ou aquelas com antecedentes de alergia grave a componentes do ovo, ao timerosal (Merthiolate®) e à neomicina. Estas pessoas não devem tomar a vacina. Nos casos de doença febril aguda, passada esta fase, a vacina poderá ser administrada normalmente.

O Comitê Consultivo em Práticas de Imunizações (ACIP), do Centro de Controle de Doenças (CDC), assim como o Comitê Técnico Assessor em Imunizações (CTAI) do Ministério da Saúde e a Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (FEBRASGO) recomendam a vacinação de rotina contra a influenza para todas as mulheres gestantes durante o inverno. Durante a epidemia da influenza sazonal, pandemias anteriores e a pandemia pela influenza A (H1N1)pdm09, a gravidez colocou as mulheres saudáveis em risco aumentado, sendo as gestantes consideradas de alto risco para a morbidade e a mortalidade, reforçando a necessidade da vacinação.

As puérperas apresentam risco semelhante ou maior que as gestantes de ter complicações em decorrência da influenza durante a gestação ou no período do puerpério. Mertz et al (2013)30 publicaram uma revisão sistemática e metanálise de 63.537 artigos sobre o risco de complicações graves associadas à influenza e verificaram que a presença de qualquer fator de risco/comorbidade aumentou o risco de morte por influenza sazonal em 2,77 vezes quando a infecção foi causada pela cepa A(H1N1)pdm09 (pandêmica) e em duas vezes, quando a doença foi causada por outros vírus A ou B. As puérperas tiveram um risco de morte por influenza A(H1N1)pdm09 4,4 vezes maior. No Brasil, desde 2013, as puérperas, no período de até 45 dias após o parto, foram incluídas no grupo alvo de vacinação.

Por que a gripe é uma ameaça à gestante?

“O vírus da gripe é altamente contagioso e pode ser especialmente perigoso para as mulheres grávidas, pois pode causar pneumonia, parto prematuro e outras complicações. É essencial que os obstetras recomendem e reforcem a necessidade da vacinação contra a gripe”, afirma a ginecologista e obstetra Cris Carneiro (CRM-SP 59.336).

Mas por que as mulheres grávidas são particularmente vulneráveis a complicações relacionadas com a gripe? “Porque durante a gravidez ocorrem alterações no sistema imunológico da mulher que aumentam as oportunidades de ataque do vírus da gripe. Esses ataques podem resultar em complicações e doenças graves. A vacinação todos os anos, no início da temporada e, independentemente do estado de gravidez, é a melhor linha de defesa”, defende Cris Carneiro.

Diversos estudos recentemente publicados comprovaram que a vacinação da gestante propicia benefícios à mãe e ao recém-nascido, reduzindo substancialmente a morbidade e o risco  de hospitalização em bebês de mães vacinadas durante a gestação nos primeiros seis meses de  vida. Além disso, a análise das informações sobre a vacinação de gestantes e de mulheres que amamentam, independentemente do trimestre em que a vacina foi administrada, mostrou-se segura para a mãe e para o bebê. Os bebês de mulheres vacinadas recebem anticorpos de suas mães no útero, que os protegem contra a gripe até que eles tenham idade suficiente para serem vacinados: seis meses.

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