Risco de prematuridade de gêmeos x peso da mãe

Para as mulheres grávidas de gêmeos, não ganhar peso suficiente, no segundo trimestre da gestação, pode aumentar o risco de parto prematuro, sugere um novo estudo, apresentado por pesquisadores da Universidade da Califórnia, durante a reunião anual do Congresso Americano de Obstetras e Ginecologistas.

O estudo concluiu que as mulheres que gestavam gêmeos que ganharam menos de 3,6 kg, entre a 20ª e a 28ª semana, apresentavam quase três vezes mais probabilidades de dar à luz antes da 32ª semana de gravidez, em comparação com as mulheres que ganharam mais de 3,6 kg, durante essas semanas.

Os pesquisadores analisaram dados de 489 mulheres, em San Diego, EUA, que tiveram gêmeos entre 2001 e 2013. Entre as mulheres que não ganharam peso suficiente, entre a 20ª e a 28ª semana, 37,6% deram à luz antes da 32ª semana, em comparação com 15,2% das mulheres que ganharam peso suficiente, no mesmo período.

A razão para a correlação não é conhecida ainda. No entanto, o segundo trimestre da gestação (que começa geralmente entre as semanas 12ª e 14ª e termina na 28ª semana) é quando as mulheres grávidas tendem a engordar mais rapidamente, à medida que ganham gordura e experimentam um aumento no volume de sangue. Se as mulheres não ganham peso suficiente no segundo trimestre, seu ganho de peso total na gravidez, provavelmente, não será suficiente.

“A nova descoberta confirma pesquisas anteriores que relacionam um ganho de peso geral pobre na gravidez ao nascimento prematuro. Agora, os pesquisadores americanos conseguiram determinar o período crucial de tempo da gestação – entre a 20ª e a 28ª semana – que pode ser alvo para futuros estudos de intervenção”, afirma a ginecologista e obstetra Cris Carneiro (CRM-SP 59.336).

Segundo a médica, mulheres grávidas de gêmeos já estão em maior risco de parto prematuro do que as mulheres que gestam apenas uma criança (gravidez única): cerca de 60% dos gêmeos nascem prematuramente, enquanto a taxa de nascimento prematuro geral dos Estados Unidos é de 11-12%.

“Atualmente, não há maneiras de reduzir o risco do parto prematuro em gestações gemelares. Embora o tratamento com o hormônio progesterona possa diminuir o risco do parto prematuro em gestações únicas, o mesmo não acontece em gestações gemelares. Se estudos futuros confirmarem as novas descobertas, o aconselhamento de mulheres sobre o ganho de peso, no segundo trimestre, seria uma intervenção simples que poderia reduzir o risco dos partos prematuros. Há definitivamente espaço para melhorias em termos de aconselhamento, de acompanhamento e de ênfase no ganho de peso durante a gravidez”, observa a obstetra.

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