Diabetes – antes e durante a gravidez – pode prejudicar bebês

Uma maior proporção de mulheres está desenvolvendo diabetes, durante e antes da gravidez, aumentando o risco de darem à luz a bebês com defeitos congênitos graves, tais como a doença cardíaca congênita (DCC). Um estudo publicado na revista Diabetes Care revelou que as taxas de diabetes gestacional e de diabetes pré-gestacional, entre as mulheres de Ontário, Canadá, dobraram entre 1996 e 2010.

A magnitude do salto na incidência do diabetes, durante o período de 14 anos, foi uma surpresa para os cientistas. Para conduzir o estudo, os pesquisadores examinaram dados de mais de 1,1 milhão de mulheres, moradoras de Ontário, que ficaram grávidas entre 1996-2010. Cerca de 45.000 foram diagnosticadas com diabetes gestacional, que é a alteração das taxas de açúcar no sangue que aparece ou é diagnosticada, pela primeira vez, durante a gravidez. Mais de 13 mil mulheres tinham diabetes tipo 1 ou 2, antes de engravidar, ou seja, apresentavam diabetes pré-gestacional.

Segundo os pesquisadores, em 2010, uma em cada 10 mulheres grávidas com mais de 30 anos de idade desenvolveu diabetes durante a gravidez. O número é considerável, visto que a maioria das mulheres está engravidando depois dos 30 anos de idade. A taxa foi ainda maior – 13% – entre mulheres com mais de 40 anos.

Os cientistas acreditam que as taxas de diabetes gestacional estão aumentando porque as taxa de diabetes na população, em geral, estão aumentando também, devido ao aumento da obesidade, ao aumento da ingestão de gordura na dieta, ao estilo de vida sedentário e à diminuição dos exercícios físicos. “Todos esses fatores juntos estão aumentando as taxas de diabetes na população mundial e o reflexo imediato é o aumento do número de mulheres grávidas desenvolvendo diabetes gestacional, uma vez que os fatores de risco são os mesmos”, diz a ginecologista e obstetra Cris Carneiro (CRM-SP 59.336).

Efeitos sobre os bebês

Segundo a médica, o tratamento do diabetes gestacional tem por objetivo diminuir a taxa de macrossomia – os grandes bebês filhos de mães diabéticas – evitar a queda do açúcar do sangue do bebê ao nascer e diminuir a incidência da cesariana.

Os pesquisadores descobriram que, embora as taxas de anomalias congênitas tenham diminuído, ao longo do período de estudo, em cerca de 20% e 23% nos filhos de mulheres com diabetes gestacional e pré-gestacional, respectivamente, o risco ainda assim permaneceu significativamente elevado em comparação com aqueles que nasciam de mães sem diabetes.

Em 2010, em comparação com os filhos de mães não-diabéticas, as crianças nascidas de mulheres com diabetes pré-gestacional tinham um risco duas vezes maior de apresentar anomalias congênitas, enquanto as que nasciam de mães com diabetes gestacional apresentavam um risco maior de 26% .

“As anomalias congênitas incluem defeitos no tubo neural, espinha bífida, malformações do coração, rins e sistema nervoso central, que podem levar à incapacidade significativa em crianças. Além das complicações no pós-parto imediato, estudos demonstraram que os fetos macrossômicos também têm um risco aumentado de desenvolverem obesidade e diabetes durante a adolescência”, afirma a obstetra.

Segundo os pesquisadores, mulheres com diabetes tipo 1 e 2 com altos níveis glicêmicos no momento da concepção e no primeiro trimestre de gestação, apresentam  riscos de anomalias congênitas mais altos.

“O que podemos fazer é aconselhar as mulheres a se assegurarem de que suas taxas de açúcar estão próximas ao normal, antes da concepção e no primeiro trimestre. Se as mulheres podem planejar suas gestações, controlando seu índice glicêmico, suas taxas de anomalias congênitas ficarão muito próximas às normais”, explica Cris Carneiro.

O estudo também verificou que a taxa de mortalidade perinatal – morte de fetos após 20 semanas de gestação ou de recém-nascidos, no prazo de 28 dias, após o nascimento – manteve-se inalterada. “No entanto, o risco de morte perinatal é maior em mulheres com diabetes gestacional ou pré-gestacional, em comparação com mulheres sem a doença”, observa a obstetra.

Ao iniciar o estudo, os pesquisadores esperavam que o melhor controle do açúcar no sangue, entre as mulheres com diabetes, e a melhoria da assistência obstétrica durante o período de 14 anos, pudessem resultar em uma redução na mortalidade perinatal, mas essa expectativa não se confirmou.

“As mulheres precisam ser encorajadas a engravidar com um peso saudável e a não ganhar muitos quilos extras, durante a gravidez, porque o excesso de ganho de peso é um fator de risco para o diabetes gestacional. Assim, um estilo de vida saudável, antes e durante a gravidez, pode diminuir as taxas de diabetes gestacional. Para os médicos e profissionais que cuidam de mulheres com diabetes, o estudo é um alerta: como as taxas de diabetes na gestação estão ficando muito altas, as mulheres precisam de mais apoio, mais orientação sobre o tema”, diz a médica.

De acordo com Cris Carneiro, “após o parto, geralmente o diabetes desaparece, mas essas pacientes têm grande risco de sofrerem o mesmo transtorno em gestações futuras e cerca de 20-40% de chances de se tornarem definitivamente diabéticas nos próximos 10 anos”, alerta.

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