Endometriose – como fazer o diagnóstico?

A Endometriose leve, quando os implantes são menores que 0,5 centímetro, é mais difícil de diagnosticar com exames de imagem. Então as queixas da paciente são muito importantes para o diagnóstico, que pode ser suspeitado apenas com uma boa conversa com o ginecologista.

A cólica menstrual forte, sangramento menstrual aumentado, dor na relação sexual e, mesmo a infertilidade são as queixas mais comuns. Antecedente de malformações uterinas, familiares com diagnóstico de endometriose podem estar presentes e aumentar as chances de a paciente apresentar endometriose.

O diagnóstico definitivo se dá com a cirurgia – videolaparoscopia – mas a cirurgia não é muito indicada exclusivamente para diagnóstico nos dias de hoje, devido o risco de complicações da anestesia, do procedimento em si e de aderências pélvicas (espécie de cicatrizes que podem colar um órgão a outro e causar dores e infertilidade), que podem ocorrer após uma laparoscopia, mesmo com a técnica perfeita do anestesista e dos cirurgiões ginecológicos.

A videolaparoscopia para diagnóstico e tratamento da endometriose pode ajudar muito, quando bem indicada e realizada por profissionais com habilidades cirúrgicas avançadas; pois a endometriose altera muito os órgãos, e de maneiras muito variadas. Portanto os profissionais especializados e treinados para o diagnóstico e tratamento da endometriose são os que, de acordo com estudos científicos realizados, são os mais capazes de identificar as lesões e tratá-las adequadamente, diminuindo os riscos de complicações, e cirurgias recorrentes.

Estima-se que 20% a 35% das pacientes com endometriose apresentem a forma moderada ou grave, modernamente chamada de forma profunda infiltrativa da endometriose. O exame físico ginecológico, bem feito, com atenção para espessamentos e dor ao toque do útero e dos ligamentos ao redor deste órgão, ou mesmo a presença de nódulos na região pélvica, aumentam a suspeita de doença moderada ou grave, e justificam exames mais avançados, como a chamada Ultrassonografia especializada (com preparo do intestino e mais prolongado que a Ultrassonografia pélvica transvaginal comum) ou a Ressonância Nuclear Magnética de Pelve especializada (com uso de contraste via vaginal e intestinal para determinar com precisão a localização e a extensão dos implantes endometrióticos). Estes exames são realizados por especialistas e direcionados ao diagnóstico da endometriose. A ultrassonografia de pelve comum, em geral, não é suficiente, colaborando principalmente nos casos de cistos de endometriose nos ovários – os endometriomas.

Não há, por enquanto, qualquer exame que possa ser realizado em sangue, urina ou fezes que possa dar certeza de diagnóstico de endometriose. O Ca-125 é um exame realizado no sangue, que indica inflamação dentro do abdomem e, portanto, muito inespecífico, quando positivo aumenta as chances de o diagnóstico ser endometriose, mas o exame Ca-125 negativo não afasta o diagnóstico de endometriose.

Atenção 1: pacientes com endometriose grave podem apresentar ultrassonografia pélvica normal e exame de sangue Ca-125 normal!

Atenção 2: Pacientes com endometriose leve apresentam ultrassonografia pélvica normal, exame de sangue Ca-125 normal e também os exames especializados (USG e RNM) normais, já que, apenas lesões maiores que 0,5cm podem ser vistas nos exames de imagem.

Então é muito importante uma conversa detalhada com o ginecologista na presença de cólica menstrual excessiva, dor na barriga fora do período menstrual, dor na relação sexual, menstruação com sangramento aumentado e dor para evacuar ou urinar no período próximo a menstruação.

O ginecologista poderá fazer um exame físico detalhado e solicitar a realização de ressonância nuclear magnética ou ultrassonografia com preparo intestinal, que devem ser realizados em centros especializados no diagnóstico da endometriose.

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