Outubro rosa: tudo o que você precisa saber para prevenir, diagnosticar e tratar o câncer de mama

 

 

Descoberto em estágio inicial, o câncer de mama tem cura quase certa – o sucesso do tratamento chega a 90% . Entenda o por que a prevenção é fundamental na luta contra a doença

 

 

De acordo com dados da Sociedade Brasileira de Mastologia, a doença afeta 1 em cada 15 mulheres brasileiras. A notícia é boa: os avanços no diagnóstico e tratamento do câncer de mama elevaram as chances de cura para 90% quando descoberto no início. O problema: no Brasil, a mortalidade continua alta porque 30% dos casos são diagnosticados em estágios mais avançados, quando o índice de cura é baixo. Além disso, há cerca de 12 mil mortes de mulheres todos os anos no país em decorrência da doença – o equivalente a 2,5% das mortes femininas no Brasil. O principal método de diagnóstico precoce ainda é a mamografia, radiografia das mamas (o que reforça a importância de sempre fazer o exame anualmente).

Segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA), para o ano de 2015, a estimativa é que mais de 57 mil novos casos de câncer de mama sejam descobertos no nosso país, o que corresponde a 156 casos novos a cada dia. Mundialmente, este e? o segundo tipo mais frequente de tumor entre as mulheres, respondendo por 22% dos casos novos a cada ano.

A prevenção

Sem dúvidas, a detecção precoce salva vidas. O ideal é identificar o tumor quando ele ainda não é palpável, o que aumenta a chance de cura. Outras vantagens de detectar o câncer logo cedo é fazer uma cirurgia e um tratamento menos agressivos – ou seja, pode não ser necessário retirar a mama ou até fazer quimioterapia.

Exame clínico

A partir da primeira menstruação, as mulheres devem visitar o médico ginecologista pelo menos uma vez por ano. Ele passará orientações a respeito dos exames ginecológicos necessários de acordo com a idade, histórico familiar ou sintomas. Durante a consulta, ele realizará exames clínicos nas mamas e axilas para checar se há algum caroço ou alteração na pele que possa indicar algum problema.

Mamografia

A mamografia nada mais é do que um Raio-X das mamas, com uma radiação baixa que não causa efeito colateral algum quando realizado na periodicidade e faixa etária adequada. O câncer de mama atinge principalmente mulheres entre 50 e 60 anos. Ainda assim, a recomendação é de que a mamografia seja realizada uma vez por ano a partir dos 40 anos. A partir dessa faixa etária e, principalmente, depois dos 50 é quando há mais risco de desenvolver a doença.

Muitas mulheres têm medo de fazê-lo por medo da dor ou de encontrar um câncer. Isso deve ser desmistificado! A mulher precisa ser estimulada para essa rotina. Quem está no grupo de alto risco (que tem casos de câncer de mama na família) precisa começar dez anos antes da idade em que o tumor se manifestou na parente próxima. A mamografia é recomendada em qualquer idade diante de sintomas como aparecimento de caroço ou área endurecida no seio ou na axila (diferente do que pode ser de costume no período pré-menstrual), região mais quente, inchada ou escura na mama; dor contínua em alguma parte da mama, mudança no formato ou no tamanho da mama, vermelhidão, coceira ou descamação do mamilo; secreção que inicia de repente no mamilo; inversão do mamilo (quando o bico se volta para dentro, ao contrário do que era antes); surgimento de nodulação ou caroço anormal; enrugamento da pele.

Autoexame

As mulheres podem, em casa, fazer o autoexame com cuidado, preferencialmente uma vez por mês, sempre a partir do final da menstruação ou, na menopausa, em um dia específico do mês. É importante que as mulheres estejam atentas ao seu corpo e ao sinal de qualquer tipo de alteração, sendo então importante comunicar ao médico. Lembre-se: o autoconhecimento não substitui o exame clínico realizado pelo médico ou a mamografia. Tumores em estágio inicial não costumam apresentar sintomas. Mais: eles só se tornam sensíveis ao toque numa fase posterior. Então, repita conosco: só o autoexame não basta!

Como fazer:

  1. Diante do espelho, em pé e com os braços soltos ao longo do corpo, observe o bico dos seios e a aréola. Veja se há retração ou mudança na cor da pele, da superfície ou do contorno da mama.
  2. Levante os braços acima da cabeça e observe se há retração na pele da mama ou do mamilo.
  3. Deitada, coloque um travesseiro sob o ombro direito, ponha o braço direito atrás da cabeça e, com a mão esquerda, apalpe a mama direita.
  4. Em movimentos circulares suaves, aperte toda a mama com a ponta dos três dedos médios juntos, sem tirá-los da pele, para sentir se há nódulos ou endurecimentos. O movimento da mão deve ser leve e de cima para baixo. Revise também embaixo das axilas.
  5. Repita os movimentos apalpando a mama esquerda com a mão direita. O autoexame pode ser feito durante o banho, com as mãos ensaboadas. Sentiu algo errado. E agora? Se você percebeu um nódulo, é hora de calma e prudência. Ligue para o médico e marque sua consulta para poder fazer a mamografia.

Hábitos Saudáveis

É comprovado: dieta saudável e atividades físicas podem evitar 28% dos casos de câncer de mama. Com algumas dicas simples, você pode mudar sua rotina. Veja só:

  • Cerca de 30 minutos diários de caminhada, por exemplo, ajudam a manter o corpo ativo.
  • Seguir uma dieta balanceada, rica em vitamina A (Caroteno ou Retinol) com pouca gordura, muitas frutas e legumes só traz benefício para as mulheres.
  • A vitamina A é responsável pela defesa imunológica do organismo e atua na proteção contra doenças infecciosas. É encontrada naturalmente em diversos alimentos, como frutas, verduras e fígado. Frutas: melão, damasco, papaia, manga. Vegetais: cenoura, brócolis, batata-doce, couve, espinafre, abóbora, ervilha, beterraba. Outras fontes de vitamina A: fígado (maior fonte), manteiga e ovos.
  • O controle de peso, principalmente após a menopausa, é aliado para evitar o câncer de mama.
  • Evitar álcool e cigarro. O consumo de dois cálices de bebidas alcoólicas ao dia aumenta o risco relativo do câncer.

Quando o câncer é detectado

O tratamento adequado é parte fundamental das ações de controle da doença. Atraso superior a três meses entre o diagnóstico e o início do tratamento podem comprometer a vida da paciente. Habitualmente, o tratamento envolve quimioterapia (hormonioterapia) e radioterapia, além da cirurgia. O tipo de tratamento é decidido pelo mastologista baseado no grau de evolução da doença. Quando o tumor é pequeno, normalmente preserva-se parte da mama (quadrantectomia), complementando o tratamento cirúrgico com radioterapia. Quando a mulher já apresenta os linfonodos com câncer (metástase), além do tratamento cirúrgico (radioterápico), adiciona-se a quimioterapia.

O apoio de um nutricionista é importante, já que a alimentação adequada auxilia o organismo a suportar o tratamento. Além disso, é recomendado que a paciente visite o dentista antes de começar a quimioterapia, pois a saúde bucal é fundamental para não ter complicações com a quimioterapia, que pode diminuir as defesas do corpo. Fazer exercícios físicos e mentais, como caminhar, ler livros e ver bons filmes, também podem ajudar muito – todos esses itens estimulam o sistema imunológico.

Um pós mais tranquilo

Tórax mutilado, braços inchados, muito sofrimento: assim era a realidade das mulheres submetidas a cirurgias de remoção do câncer de mama até uma geração atrás. Com a detecção precoce, as cirurgias tornaram-se menores, atendo-se muitas vezes a apenas um quadrante.

 

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